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Apenas uma História...

Era uma vez a Joana, o Pedro, e o Zé Manel. O Pedro e a Joana são casados, têm 2 filhos, uma pequena menina e um rapaz que está no 10º ano. O Zé Manel, sempre de barba grande como habitual, foi a casa deste casal para vender umas meias, como o Zé Manel é chato, a Joana lá comprou as meias para se ver livre dele, quando recentemente tinha ido comprar à loja dos chineses meias que lhe faziam falta. A Joana vai muitas vezes à loja dos chineses comprar vários artigo sob o argumento que são muito baratos.

O Zé Manel mudou-se recentemente para uma casa nova, uma habitação social construída pela câmara municipal com apoios do governo. Um T3 a estrear para ele, a sua mulher e os 5 filhos, com todas as comodidades de uma construção moderna. Um luxo ainda longe da maioria das famílias deste país. Zé Manel e sua esposa nunca trabalharam legalmente, por isso não efectuaram qualquer desconto, razão pela qual usufruem destas regalias pelo governo, ao contrário dos contribuinte que trabalham para o bem da economia nacional. Eles recebem também o rendimento mínimo, e mais um subsídio de apoio por cada filho. Mas mesmo assim, o Zé Manel lá vai tentando vender alguns artigos de vestuário que não se sabem de onde vêm. Os filhos às vezes são vistos a pedir nas feiras e à entrada dos hipermercados. O Zé Manel tem uma carrinha Ford Transit e um BMW preto.

O Pedro, marido da Joana, trabalha numa empresa do ramo automóvel, o seu salário e o salário da sua esposa, bem governados lá vai dando prós estudos dos filhos, para pagar a casa e as contas do dia a dia. Pouco sobra ao fim do mês, e são muitas as vezes que evitam grandes passeios. O problema maior costuma ser quando tem de pagar o seguro do seu Renault Clio, mas depois a coisa lá se compõem quando chega a altura do subsídio de férias ou 13º mês. Mas agora as coisa não estão famosas para o Pedro, que acabara de saber através dos seus superiores que esta unidade de produção se irá deslocar para um país na Ásia. Todos os seus trabalhadores andam bastante preocupados com a excepção do administrador, que segundo as suas perspectivas, esta mudança vai permitir à empresa reduzir cerca de 70% do encargo com a mão-de-obra, reduzir o preço do produto final em cerca 10%, aumentar a produção entre 5 a 10% em que já está contabilizado as perdas pelas peças defeituosas (que se estima aumentem cerca de 60%).

No final desse mesmo ano, o Pedro ficou assim desempregado. O subsídio de desemprego é mais baixo que o seu antigo salário liquido. Isto veio complicar bastante as contas lá em casa. Ele passa agora a ser obrigado a submeter-se a um regime de apresentações obrigatórias com prova de procura de emprego, sob a pena de lhe ser retirado o subsídio, só porque o Tiago na altura em que estava desempregado e a receber o mesmo subsídio, estava também a trabalhar em Espanha na construção civil. É um regime parecido ao do Francisco que foi apanhado pela policia a roubar, e o tribunal também lhe decretou apresentações semanais na esquadra de policia lá da zona. Sabendo isto, Pedro não deixa de se sentir indignado e com vergonha por ter um tratamento cujo o princípio é o mesmo de um delinquente, cujo o único crime que ele cometeu foi ver o seu emprego fugir para outra pessoa que mal sabe ler ou escrever, que lhe será pago um salário muito inferior ao dele, e que provavelmente não gozará férias e trabalhará muitas mais horas, e o nosso governo assobiou para o lado, impotente e incapaz de fazer algo para salvar estes postos de trabalho.

A Rita, a filha mais nova de Pedro anda no Infantário. A Isabel é a nova educadora de infância que fora contratada. Até lhe correu bem, conseguiu colocação pouco tempo depois de acabar a sua formação.

A Joana, esposa do Pedro, trabalha numa empresa têxtil, e ganha apenas o salário mínimo. Aquando o arrebentamento da crise mundial, a sua empresa faliu, e tal como o seu marido, tem agora as mesmas obrigações que ele. As contas lá por casa ficaram o caos, e a Joana questiona-se como a sua empresa faliu, não consegue encontrar resposta, mas não dispensa uma visita às lojas dos chineses para aliviar um pouco a tensão criada lá em casa e apanhar um pouco de ar fresco. A Rita teve de sair do infantário. O dinheiro não dá para tudo, e o João, o filho mais velho, saiu da escola e anda agora à procura de emprego através das agências de trabalho temporário, que de certeza não lhe garantirão nenhum futuro, sendo as melhores perspectivas, o de salta de contrato em contrato para várias empresas. O sonho do João era estudar Direito.

A Isabel, também ficou desempregada após o fim do primeiro contrato. Com a diminuição de crianças lá no centro, já não é mais necessária. Não tem direito ao subsídio de desemprego porque não atingiu o tempo de descontos mínimo. Perdeu assim um sonho, visto que é provável que demore anos à situação estar restabelecida, e que nessa altura, devido ao tempo que esteve parada, o mais provável é ninguém a empregar de novo como educadora de infância.

Na casa de Joana e Pedro as coisas não vão nada bem, o desespero criou sentimentos de revolta e raiva, pelo que já se encontram num processo de divorcio, a casa terá de ser vendida, e da forma como o mercado anda, se conseguirem comprador, que rezem ser o suficiente para pagar o que devem ao banco da casa, tudo o resto é prejuízo...

Durante uma das audiências em tribunal, assaltaram o carro de Pedro e levaram o rádio, alguns documentos e algum dinheiro que ele lá tinha. 1 semana depois a policia apanhou o presumível assaltante que confessou o crime, e chamaram o Pedro à esquadra, para lhe dar a noticia de que o individuo era toxicodependente e seropositivo, vive com a sua mãe cuja a reforma mal dá para os medicamentos, e que não possuem qualquer bem para que possa pagar o prejuízo do assalto ao Pedro, dizendo também que as cadeias estão cheias e que o mais certo é o tribunal o libertar porque é assim que funciona a nossa justiça. Pedro lá desiste da queixa, e vai a caminho da loja do cidadão para tirar nova documentação que estava em falta, tendo de pagar os mesmos...

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A infelicidade de um reflecte-se em cadeia. A situação que vivemos hoje não é culpa de uma só pessoa ou organismo, mas sim de todos nós. Cabe a cada um de nós mudar a forma com investimos o nosso dinheiro, esforço, tempo, e amor. Cada um de nós deve optar por situações que impliquem se possível o retorno. Não podemos exigir um governo honesto se não somos honesto connosco, não podemos exigir emprego se não damos valor ao que produzimos. Não podemos exigir justiça quando muitas vezes temos pena do prevaricador. Não podemos apelidar os jovens como "geração rasca", quando eles são o futuro, mas herdam a corrupção dos seus antepassados e um planeta quase destruído.

by: littledragonblue

3 comentários :

  1. Ha falta do sentido de Visinhança, a entreajuda a tanta concorrencia desmedida e a só olharmos bem apra a vida quando ela nos atropela é que estamos como estamos como muito bem dizes não é culpa unica de A ou B somos todos como Humanos Comunidade. a Soluçao Tambem a desconheco mas como estamos estamos a caminhar para abismo, mas estamos a tempo de Mudar, Ajir para o melhor do visinho e assim do nosso tambem, não Julgar mas Ajudar...

    Palavras sabias as tuas como sempre beijo migo

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  2. Se cada um de nós fizesse a sua parte em vez de esperar que as ajudas caiam do céu o mundo seria bem melhor!
    Beijinhos

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  3. Litle:
    Uma história muito bem escrita na sequência de desastres que levam ao desmoronamento de uma família... e cada vez são mais! O desemprego... a crise... enquanto outros são sustentados por todos nós... há tantos Zé Maneis por aí!
    Estava dificil mas hoje consegui cá entrar.

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littledragonblue